Guia para motociclistas

Andar de moto na chuva: dá para rodar hoje?

Para saber se dá para rodar hoje, o que pesa são a janela seca (as horas seguidas sem chuva), a rajada de vento e o estado do asfalto, não só a temperatura. Uma manhã fria e seca vale mais que uma tarde quente com chuva prevista para o fim do dia, e é essa janela, não o termômetro, que o Roveri lê hora a hora.

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Como é a sensação na moto?

Sensação térmica na pele exposta −2,3 °C Cidade, 60–80 km/h: −1,8 °C a −2,7 °C Abaixo de zero na pele, mesmo com o termômetro acima disso.
Os mesmos números em tabela
ArCidade70 km/hEstrada90 km/hRodovia130 km/h
+10 °C4,7 °C4,1 °C3,2 °C
+5 °C−2,3 °C−3,1 °C−4,2 °C
0 °C−9,3 °C−10,2 °C−11,7 °C
−5 °C−16,3 °C−17,4 °C−19,1 °C
−10 °C−23,4 °C−24,6 °C−26,5 °C

Fórmula de sensação térmica do National Weather Service dos EUA (NWS), calculada na velocidade de cada coluna. A coluna Rodovia, tracejada, fica fora da tabela publicada pelo NWS. Os valores descrevem a pele exposta, não a pele sob o equipamento.

Como cientistas do clima definem a chegada do frio

A calculadora acima trata de um passeio, na velocidade em que você roda. Um período de frio contínuo é outra história: são vários dias frios seguidos. A régua abaixo é a regra prática que motociclistas de países de inverno rigoroso usam para se planejar. Ela se apoia em definições climáticas publicadas, não em uma norma para motos, e foi pensada para lugares com inverno de verdade — o que não é o caso da maior parte do Brasil.

  1. Outono avançado <10 °C · 5 dias

    Outono meteorológico, segundo o instituto sueco de meteorologia (SMHI): ainda dá para rodar, mas nesses países já é hora de encaixar os passeios nas horas mais quentes do dia.

  2. Frio contínuo <5 °C · 6 dias

    A linha que cientistas do clima usam para confirmar um período de frio contínuo. Nos países com inverno, é por ela que motociclistas planejam o último passeio antes de deixar a moto parada por um bom tempo.

  3. Inverno ≤0 °C · 5 dias

    Inverno meteorológico, pela mesma definição do SMHI. Nessas regiões, o gelo na pista passa a ser uma preocupação real.

Temperatura média diária, 25 de out. – 25 de nov. de 2020 Contagem nos dias abaixo de 5 °C
0°5°10°15° Média diária de 5 °C 25 de out. 27 1 1 dia, contagem zerada 29 31 2 4 6 1 1 dia, contagem zerada 8 10 12 14 16 18 20 1 2 22 3 4 24 5 25 6 Frio contínuo desde 20 de nov. Confirmado no sexto dia: 25 de nov.
5 °C ou maisAbaixo de 5 °C

Neste exemplo da região de Munique, no outono de 2020, dois dias frios isolados zeram a contagem, e o frio contínuo só se confirma com a sequência de seis dias que começa em 20 de novembro. As médias diárias vêm do projeto POWER da NASA.

Isso é uma média. O que você vai sentir depende de onde rodar.

O Roveri mostra o clima para rodar onde você está hoje, e o Onde rodar avalia hora a hora os destinos por perto. O Onde rodar faz parte do Roveri Pro, com teste gratuito.

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Os quatro fatores que decidem de verdade

A chuva: importa a hora, não o total

O total de chuva do dia quase não diz nada. Uma pancada de 20 minutos às sete, que já passou às nove, deixa a manhã seca; uma garoa constante a partir do meio-dia estraga uma tarde que a previsão marcava como “10% de chance de chuva”. O que importa é a janela seca — a sequência de horas seguidas sem chuva, com tempo para a estrada secar. Confira a previsão para a hora da saída e para a hora da volta, porque manhã limpa com chuva às quatro é volta para casa encharcado. Procure a janela, não o número do dia.

O vento — rajada, não média

O vento é o fator que quem anda de moto mais subestima. Uma média de 25 km/h com rajadas de 60 km/h é um passeio bem diferente de um vento constante de 25 km/h, principalmente quando ele bate de lado em estradas abertas e pontes. Olhe a velocidade da rajada e a direção do vento. Vento constante pelas costas é o que menos atrapalha, mas as rajadas e as mudanças de direção da estrada continuam pegando você, e o mesmo vento batendo de lado joga a moto de uma faixa para outra.

A temperatura e o que você veste

A temperatura só vira um limite rígido perto de zero. Acima disso, quem mexe nessa linha é o equipamento. Camadas, uma capa corta-vento e manoplas aquecidas podem deixar confortável uma manhã de 3 °C, e sentir frio já é, por si só, uma questão de segurança — mão fria é mão lenta. Use a temperatura da previsão como ponto de partida, que o equipamento e a velocidade ajustam, não como um veredito.

O asfalto

É no asfalto que o frio faz o estrago de verdade. Perto de 0 °C, curvas à sombra, pontes e viadutos guardam geada e gelo negro mesmo depois que o resto da estrada já degelou. Manhãs úmidas deixam água empoçada sempre nos mesmos pontos baixos. No outono, entram na conta folhas molhadas e cascalho arrastado para as curvas. Nada disso aparece no termômetro; aparece para quem conhece as próprias estradas e sabe quais trechos ficam frios e molhados por mais tempo.

Por trás dos números

Como a calculadora funciona, por que a cidade é quase tão fria quanto a rodovia e de onde vem cada número desta página.

  1. Como a calculadora funciona
  2. Por que a cidade é quase tão fria quanto a rodovia
  3. De onde vem a régua do frio contínuo

Como a calculadora funciona

A calculadora usa a fórmula de sensação térmica do National Weather Service dos Estados Unidos, que estima a rapidez com que a pele exposta perde calor com o vento. Na moto, quem cria esse vento é você, então a velocidade da moto entra no lugar da velocidade do vento. É uma aproximação: a fórmula foi feita para vento medido, não para a velocidade de quem pilota, e o vento de verdade soma ou tira da sua velocidade conforme a direção. A calculadora não leva em conta o vento do dia.

“If the temperature is 0°F and the wind is blowing at 15 mph, the wind chill is -19°F. At this wind chill temperature, exposed skin can freeze in 30 minutes.”

— US National Weather Service, Understanding Wind Chill

O NWS define dois limites na mesma página, e a calculadora avisa sobre os dois. A sensação térmica só é definida “only for temperatures at or below 50°F”: acima de 10 °C, a calculadora estende a mesma fórmula e marca o resultado como estimativa, nunca mais quente que o termômetro. E a tabela do NWS para em 60 mph: acima de 97 km/h, o resultado aparece marcado como estendido além da tabela. O número vale para a pele exposta: viseira fechada, camada corta-vento e manoplas aquecidas trazem você de volta para perto do que o termômetro marca — é para isso que serve o equipamento. Você também vai ler por aí que o pneu perde aderência abaixo de certa temperatura; a aderência depende do composto, da temperatura do próprio pneu e do asfalto, e não achamos nenhum limite publicado confiável — por isso esta página não cita nenhum.

Por que a cidade é quase tão fria quanto a rodovia

Na fórmula, a velocidade entra elevada a um expoente pequeno, então são os primeiros quilômetros por hora que fazem a maior parte do resfriamento. A 5 °C, sair do parado e chegar a 50 km/h derruba 6,3 °C da sensação na pele; de 50 km/h a 130 km/h, ela cai só mais 2,9 °C. Por isso um trajeto curto pela cidade, de jaqueta leve, pode parecer tão cortante quanto um trecho de rodovia: a maior parte do frio chega antes de você passar dos 50 km/h. E isso muda a escolha do equipamento: luvas quentes e gola fechada fazem diferença no trajeto do dia a dia, não só na viagem de estrada.

De onde vem a régua do frio contínuo

A linha de 5 °C vem do índice de duração da estação de crescimento definido pela equipe de especialistas em índices climáticos (ETCCDI): por esse critério, a estação de crescimento termina na primeira sequência de seis dias com média diária abaixo de 5 °C depois de 1º de julho no Hemisfério Norte (no Hemisfério Sul, depois de 1º de janeiro). Os degraus de 10 °C e 0 °C seguem a forma como o Instituto Sueco de Meteorologia e Hidrologia define a chegada do outono e do inverno: cinco dias seguidos abaixo de 10 °C e cinco dias seguidos a 0 °C ou menos. Nenhuma dessas regras foi escrita para motos. Entram aqui porque são publicadas e medem uma mudança que se mantém, não um único dia ruim.

É essa régua que explica o inverno na Serra Catarinense, a região do Brasil onde esses degraus valem de verdade. A Serra do Rio do Rastro passa de 1.460 m de altitude e bate 0 °C no inverno, com geada e neve de vez em quando; a imprensa especializada recomenda março–maio e setembro–novembro como as melhores épocas para rodar por lá. Fora da serra e do inverno no Sul, essa régua descreve o clima de países de inverno rigoroso — não o calendário de quem anda de moto no Brasil.

O problema é o calor? A mesma calculadora sobe até +45 °C no nosso guia sobre andar de moto no calor.

ONDE RODAR

Leia a previsão hora a hora, não o ícone do dia.

O Onde rodar reúne a previsão hora a hora da Apple WeatherKit para destinos perto de você — tirados de uma base de 33.817 lugares que já vem no app — e avalia cada um deles hora a hora. É o mesmo detalhe horário que este guia descreve, só que para lugares aonde dá mesmo para chegar rodando, em vez de um ícone por dia para cada cidade.

  • Avaliações hora a hora para destinos perto de você, a partir de uma base de 33.817 lugares que já vem no app
  • Previsão da Apple WeatherKit
Onde rodar no Roveri avaliando destinos perto de você pelo clima para rodar, hora a hora

QUANDO ESTÁ FRIO AQUI

Ache onde não está frio.

Quando amanhece frio em casa, o Onde rodar olha como está a manhã em cada lugar ao seu alcance e avalia os destinos perto de você pelo clima para rodar, hora a hora. A pergunta deixa de ser se vale a pena sair e passa a ser para onde ir. Faz parte do Roveri Pro, com teste gratuito.

Como achar um lugar com bom clima para rodar

  1. Abra o Onde rodar no Roveri.
  2. O Roveri avalia os destinos ao seu redor pelo clima para rodar, hora a hora.
  3. Escolha o lugar com a melhor janela seca e caia na estrada.

Esta página mostra a média. Mas você vai rodar é hoje.

O Roveri mostra o clima de hoje para rodar aí onde você está.

Perguntas frequentes

Dá para andar de moto na chuva ou no frio?

Dá para andar de moto na chuva e no frio: não existe um limite único que torne o passeio impossível. Quatro fatores decidem o dia — janela seca, rajada de vento, equipamento e asfalto, que perto de 0 °C guarda gelo negro mesmo com a estrada já seca. Fora da serra e do inverno no Sul, é a chuva que decide a maioria dos passeios no Brasil.

Qual é a sensação térmica de andar de moto a 100 km/h?

Com o ar a 5 °C, a sensação térmica na pele exposta a 100 km/h fica em cerca de −3,4 °C, pela fórmula do National Weather Service dos Estados Unidos. Com o ar a 0 °C, fica em cerca de −10,6 °C. Acima de 97 km/h, o cálculo já estende a fórmula além da tabela publicada.

A sensação térmica vale para quem anda de moto?

A sensação térmica vale para quem pilota, não para o asfalto. O National Weather Service dos Estados Unidos a define apenas “only for temperatures at or below 50°F and wind speeds above 3 mph”, e diz que ela “applies only to people and animals”. O quanto um viaduto à sombra esfria é outra história.

O que uma previsão do tempo para moto deveria mostrar?

Uma boa previsão para moto deveria mostrar o detalhe hora a hora, não um ícone por dia: horas secas seguidas, a rajada de vento em vez da média e a temperatura na hora da saída e na hora da volta. A 5 °C e 70 km/h, a pele exposta já sente cerca de −2 °C — o tipo de detalhe que some num resumo diário.

O Roveri funciona no iPhone (iOS 18.6 ou posterior) e é grátis para baixar. O Onde rodar faz parte do Roveri Pro, uma assinatura opcional com teste gratuito; gravar seus passeios é grátis. Leia a ficha completa, verificada no código, na página de imprensa do Roveri, ou baixe o Roveri na App Store.

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